Graças à Deus, somos todos Fenix, nessa nossa capacidade de renascer, ser ser novamente nós depois que nos perdemos de nossa essência, e de a reencontrarmos, intacta, acrescida... Dessa nossa capacidade de encontrar sempre nosso caminho, mesmo quando tudo parece distante, perdido...
Meu amado Dudú, Ado, Eduardo... Que bom estar falando com você, novamente... Te procurei tanto e tantas vezes, sempre inconformada com essa distância do meu mais puro amor e amigo... De alguma maneira, meu "esposo" rs, Lia lembra-se que foi nossa madrinha de casamento, em uma cerimônia que fizemos em uma daquelas nossos banhos de chuva... Lá também fizemos batizados, novos nomes, e mais um monte de maluquices típicas de gente que ficava sentada em cima de árvores no quintal, ou conversava com cachorrinhas tristes...
Me lembro da tarde que você desceu para a praça do Rádio Club (adoro essa praça, até hoje) com seu invento que o deixaria rico... A máquina de pintar quadros... Pobrezinho, não reconheceram ainda daquela vez seu gênio criativo, por que você não fez grana nem pra pegar o ônibus e teve que voltar à pé pra casa, (na verdade, como andávamos quase sempre "duros" voltar a pé para casa era uma opção bastante em "alta" ahahahahah), meio tristinho e meio revoltado com a ignorância humana, mas acabamos por dar boas risadas..rs...
Detalhe: Sempre rimos muito, juntos! Isso é inesquecível....
Um pequeno resumo da minha vida nos últimos quinze, vinte anos, ok?
Quando o Máx era ainda bebê, fui para Ponta Porã, como pioneira de um projeto da Fé Bahá'í, e por lá fiquei dois anos... Depois, voltei à Campo Grande, nasceu o Pedro Bill, outro bebê, um com quatro anos, outro recem nascido... .......meu sentimento estranho de solidão, só crescia... Resolvi passar alguns anos escutando um riacho cantar, quem sabe então? ........fomos para Aquidauana, aluguei um pequeno sítio dentro da cidade, com um córrego passando a cem mestros da casa de madeira que mais tinha varanda do que propriamente casa...
Assim, passarinhos cantando ao alvorecer e ao anoitecer, milhares de estrelas ao alcance dos meus olhos, à balançar na rede, procurei sentir-me menos só e solitária neste imenso planeta, em que eu parecia tão diferente, distante dos padrões... Me envolvi com trabalhos voluntários, tinha um bairro nascente, muito pobre, um assentamento bem próximo... Logo chegaram duas crianças, Solange (Sol) e Reginaldo, um casal de irmãozinhos, ascendência indígena, .......... Bem, quatro filhos, alguns cachorros, gatos, jabutís...rs Isso tudo, pelos idos de 1992...
Começamos a frequentar também a aldeia indígena Limão Verde, dos amigos Terenas, assim eu contruia uma identidade indígena para os meus novos filhos, e uma identidade indîgena para mim e para os outros dois filhos... Final de semana era sagrado, iamos para a Aldeia, subir nos morros em corrida com os amigos, tomar banho no riacho, subir nas árvores para se deliciar com as frutas...
Fiquei sete anos em Aquidauana, foi maravilhoso, e aprendi muitas coisas, e tive a oportunidade de participar de muitos projetos bahá'ís, e também de serviços voluntários na área da infância e adolescência e muitos outros...
Em 97 voltamos para Campo Grande, por dois anos, tentamos nos fixar aqui, mas, a estrada ainda tinha suas curvas... Um dia no final de 99, eu, meus quatro pequenos amigos e algumas malas, chegamos em Ribeira do Pombal, sertão distante da Bahia, onde pudemos participar de um projeto bahá'í na área indígena Kirirí, em Mirandela. Dois anos no mais quente, seco e maravilhoso sertão da minha imaginação.. ah, quantas coisas novas eu aprendi, quantos desafios, quantas maravilhas o ser humano em sua escasses material e riqueza espiritual me ensinou... eu, ávida aprendiz, pequeno ser diante da maravilha de tudo o que só o nordeste, a África, e todos os lugares onde os seres humanos desafiam a vida constantemente podem ensinar... Quão grande é o céu do sertão, quão mágica pode ser uma simples chuva, um por-do-sol de fogo, um trabalho humilde, e um jardim de girassol, que foi o que plantei na janela da minha casa... Girassois no sertão...rs... Ficaram mirrados, pequenos quase como margaridas, mesmo assim fiquei com a alcunha de a moça da casa dos girassóis... àgua de poço, animais e pessoas sedentas, alguns velórios... Muito amor e muita generosidade das pessoas fortes e amorosas do sertão... Muitas lágrimas, muita esperança, muita fé e bons e eternos amigos.. Assim foram os nossos dois anos no sertão...
2001 - Salvador, Bahia, Brasil... Que lindo e mágico é Salvador... Terra de muitas raças, muitas cores, culturas, e música, muita música... A musica do mar, que ainda ouço e sempre ouvirei dentro de mim... como amo o mar.. não a praia, cheia de gente e bronzeados..rs mas o mar, as primeiras horas da manhã, ou, ao entardecer... o mar que cantava e contava suas confidências para mim... O mar que ficou meu amigo íntimo, e onde escondi muitas lágrimas que lá se misturaram e se confundiram e viraram apenas gotas, desaparendo em sua imensidão... Salvador foi um período de luz e ouro na minha vida.. Lá fui jardineira e aprendi a subir em outras árvores... Salvador parece comigo, la eu me confundia na multidão de gente estranha e só era uma maluca estranha a mais...
Em Salvador, à beira do mar, meus quatros filhos se tornaram adolescentes, e jovens, em uma imensidade de fatos e experiências, em uma sequência de novos tempos, sempre novos...
Em 2005, metade do ano, voltei para Campo Grande, e aqui estou... Morei em alguns lugares, e no momento estou morando perto da minha mãe novamente, por que ela está velhinha, frágil e forte ao mesmo tempo...
Aquí, no momento, trabalho no período da manhã para sobreviver, e à tarde, meus trabalhos voluntários, que adoro e me fazem tão feliz e completa... Trabalho com um programa de enfrentamento à pedofilia na internet, proteção animal, causa indígena, e defesa dos direitos humanos... Muito, muito trabalho, e isto me faz feliz... Ah, tem também as atividades bahá'ís, que, embora a comunidade daqui não se compare á da Bahia, (no tamanho) sempre tem uma coisa legal pra fazer...
O tempo não me fez bonita, continuo a mesma garota estranha, agora uma mulher de 42 anos que nada corresponde aos padrões sejam eles de beleza, ou de comportamento...rs.. só que estranhamente, as pessoas me aceitam bem, e são muito carinhosas comigo na maior parte das vezes...
Meus bebes não são mais bebes, nem adolescentes, e já estão traçando seus próprios caminhos... Bebês agora só o Frôdo, a Neguinha (meus dois cachorros), a amarela, a lua e o adriano, (amigos gatos) rsrsrsrsrsrsrs
se quiser ler por você mesmo, fases, momentos, pedaços da sua amiga, escrevo pra Deus, no meu blog
http://www.planetalua.zip.net/ ...
Eduardo, aduardo, te adoro. Menino que mora no meu coração. Meu exemplo. ........
um abraço forte, um monte de beijos!
tenho sempre, muito orgulho de você, e sempre, sempre, tenho certeza, que tudo o de melhor que há em mim, tem alguma coisa sua...
Se puder, fica perto, por favor...
Lua
PS. Telefone?